A encantadora de pássaros…

Estávamos nós no século XIX, quando tudo aconteceu. Havia a fama que existia uma encantadora de pássaros num jardim maravilhoso que existia um pouco fora da cidade. Esse jardim era enorme, tinha muitas árvores seculares por ali espalhadas, uma enorme variedade de belas e coloridas flores, muitos arbustos. Nesse jardim também existia um lago de cisnes, e um outro lago mais pequenos de peixinhos dourados, havia também muitos bancos feitos de madeira que se encontravam espalhados pelo jardim.

Numa manhã de Primavera, durante um passeio matinal pelo jardim reparei numa senhora sentada e que se encontrava só num banco de jardim rodeada de pássaros, e junto a um pequeno lago de peixes que por ali se encontrava. Comecei a olhar para ela com muita curiosidade, e com admiração, a senhora estava a dar de comer aos pombos e a outros pássaros que voavam ali por perto, esses também aproveitavam a oportunidade para comerem aquelas delícias que tal senhora atirava para o chão.

Estava eu a admirar aquele espectáculo encantador, onde havia muito carinho, e paciência da parte dela perante aqueles pássaros. Alguns até já poisavam em seus ombros e na palma de sua mão sem medos. Parecia que já era algo habitual e muito normal naquele canto do jardim. Era uma imagem linda de se ver.

Então eu resolvi me aproximar desta encantadora de pássaros que me despertava tamanha curiosidade, e queria a conhecer melhor, e queria saber qual seria a razão que a levava a ter tamanha aproximação aos pássaros do jardim.

Ao me aproximar cuidadosamente dessa senhora, eu reparei que ela aparentava ser uma senhora muito simpática e com uma luz muito especial no rosto. Ela tinha uma tês muito clara, cabelos dourados, uns olhos azuis lindos, de estatura média, uma cara alegre, muito bem disposta e adorava pássaros.

Ela sentiu a minha presença e aproximação, então olhou para mim com aqueles olhos angelicais, e um sorriso cheio de pureza e de muita paz, e que me transmitiu muita tranquilidade.

Arranjei coragem e meti conversa com ela, e ela sorriu para mim e respondeu ao meu cumprimento com uma voz doce e jovial.

Sentámo-nos no banco de jardim, e a conversa entre nós fluiu como se fosse uma brisa suave de vento, senti uma paz e uma tranquilidade como nunca tinha sentido em toda a minha vida. Ela inspirou-me muita confiança e fez com que eu falasse sem fim, enquanto ela me respondia a tudo sempre com uma voz suave e cheia de alegria.

A nossa conversa fluiu como a água de um rio correndo até seu destino, até que eu lhe perguntei o que ela fazia para ter sempre tantos pássaros á sua volta. Como resposta ela respondeu, que gostava muito de passar os seus dias naquele jardim desde que perdera a sua mãe que morreu com uma doença maldita, tinha ela apenas 13 anos de idade, a mãe era tudo para ela, e fez com que ela se isolasse do “mundo”, só queria estar em casa, e não gostava de falar com ninguém. Ela passava os dias em casa a chorar. Ela vinha de uma família muito pobre, e também já não tinha pai fazia tempo, o que fez com que ela se fechasse cada vez mais de tudo e de todos, ela ficou só no mundo. Até que um dia ela resolveu, que tinha que ir apanhar ar e se distrair um pouco mais, e assim sair daquela solidão doentia. Resolveu ir dar uma volta pelo jardim, que ficava perto de sua casa, e sentou-se naquele banco de jardim perto do lago de peixes, e levou com ela uns pedaços de pão para comer. As migalhas do pão caiam e os pássaros aproximavam-se dela para os apanhar do chão. Os pássaros começaram a não ter medo dela, e ela começou a falar com eles o que deixavam ela um pouco mais animada, a solidão fez com que ela se dedica-se de corpo e alma aqueles pequenos seres, que para ela eram a sua companhia, e sua família do coração, e que eles lhe davam muita paz interior. Começou por ser um simples passeio pelo jardim para se distrair, terminando por ser uma rotina diária para ela, e de ano para ano que passava os pássaros eram mais, e se aproximavam cada vez mais dela até deixarem que ela lhes tocasse e lhes desse carinho. Os pássaros eram a vida dela.

Eu dei-lhe o nome de encantadora de pássaros, e ela sorriu de volta com um sorriso muito especial.

Foi uma manhã muito interessante, na qual me deixou um sentimento de leveza, e muita tranquilidade. Ganhei o dia, e senti-me mais confiante para enfrentar o dia, e ver o futuro com outros olhos.

Às vezes a vida prega-nos destas partidas, eu que venho de uma família nobre muito simples, e muito unida, sempre critiquei e reclamava do que tinha e do que não tinha, e não era uma pessoa sentia feliz.

Aquela encantadora de pássaros fez-me ver a vida com outra perspectiva, e dar Graças a Deus por ter uma família como a minha, e por continuar a meu lado.

Tudo aquilo que ela me falou acerca de sua vida, fez com que eu começa-se a dar mais valor às coisas simples da vida como por exemplo; um simples abraço apertado cheio de carinho e calor humano.

A encantadora de pássaros abriu-me os olhos, e ensinou-me que a riqueza não é o mais importante na vida, e muito menos quando nós estamos sós no Mundo, sem ninguém para estar ao nosso lado, e nos dar aquele abraço especial quando nós mais precisamos e nos sentimos mais embaixo.

A vida, sim a vida tem muito que se lhe diga…, é preciso passarmos por muitas provações para um dia mais tarde olhar para trás e aprendermos que a vida não é assim tão simples para ser vivida como pensamos.

Nós aprendemos com os nossos erros e as dificuldades que nos aparecem na vida muitas vezes. Nós temos que cair, levantarmos-nos com custo, e rastejarmos muitas vezes pelo chão, temos que saber como enfrentar, e ultrapassar as pedras que nos vão aparecendo no nosso caminho com muita coragem, luta, e muita força para conseguir encontrar o nosso lugar ao Sol.

A vida é uma luta constante e diária…!

Muito Obrigado minha querida ” Encantadora de Pássaros “…!

29BA1D46-091A-47BA-915E-549204480F09