A casinha da minha avó na Lagoa de Santo André.

 

A casa da Lagoa de Santo André…

O que é que eu posso falar dela…!?

Pois bem aqui vou tentar escrever sobre ela. Esta casa foi construída pelo meu pai para dar a mãe dele no ano de 1959, tinha ele 36 anos. Ele pôs as letras principais do nome dele A.J. 1959, na chaminé da casa. Era uma casa caiada com cal branca, e tinha umas barras de cor diferentes, chegou a ter verde, como castanha, e por fim as barras eram sempre pintadas de azul, como e tradição do Alentejo.

Esta casa foi feita na localidade da Lagoa de Santo André, ou Costa de Santo André como também foi chamada.

Tinha um quarto que dava para por três camas de ferro para dormir, e tinha também uma salgadeira, onde nos tempos de minha avó paterna se conservavam os alimentos para o ano todo, e com sal, tinha uma tampa de madeira, tinha uma cozinha enorme, com uma lareira onde ela cozinhava os alimentos, e defumava os enchidos de porcos que matavam muito nessa altura, e que lhes servia de base para a alimentação da família nesses tempos mais difíceis.
O quarto tinha uma janela que dava para a parte da frente da casa. A casa tinha um pial das bilhas onde se punham as quartas de barro com água fresca muito boa que vinha da própria natureza, para eles beberem, em cima tinha umas parteleiras em Madeira trabalhada pela mão de meu pai, onde se punham os pratos e as tigelas para se por o comer, e tinha umas outras na parede onde se penduravam as panelas de alumínio, fervedores de leite, e chávenas, se é que eu já não me estou a enganar. Vivia-se com a luz de candeeiros a petróleo, também tinha uma janelinha para a parte de trás da casa. Era uma casa pequena, mas era muito acolhedora. Não tinha casa-de-banho, mas também não era necessária, nesses tempos faziam-se as necessidades fisiológicas ao ar livre, atrás das moitas que se encontravam espalhadas á volta da casa.

Eram outros tempos e outras prioridades na vida.

A casita ficava no meio do campo e a 10 minutos de distância, a pé, perto do mar, da lagoa que era uma excelente praia para as famílias e crianças que iam lá de férias. Havia alguns pinheiros á volta, moitas, balsas, tremocilhas em flor, babosas, figos de pita ou figos da Índia como se chamavam, pitas, etc.

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Esta é uma imagem da casa da Lagoa de Santo André, e já tem uns bons anos que foi tirada, era no tempo que ainda era habitável… Bons tempos, e que belas férias lá foram passadas em família.
Recordações desta casa tão maravilhosa, muito familiar e muito acolhedora…!

Tenho muito boas recordações desta casa da Lagoa de Santo André, e o resto da família que ainda se encontram entre nós e também passaram lá excelentes, e inesquecíveis momentos.

Não há ar ou côr de céu como aquele que podemos sentir, respirar ou ver como lá, é um céu azul muito especial, e muito relaxante.
Recordo-me tão bem daquele céu tão especial, de dia era um céu que nos trazia tranquilidade, e á noite era um azul bem escuro muito estrelado, e ouvia-se ao longe as ondas do mar a rolar na areia, que também era perto, e as aves e animais nocturnos que por lá habitavam nos arredores.
Pela manhã ouvia-se logo os galos a cantar das casas dos montes que existiam lá por perto, ouvia-se o gado a pastar com os seus chocalhos ou badalos, como também eram assim designados lá no Alentejo.
Era um local onde eu me sentia livre sem medos, percorria os campos com prazer, eu gostava muito de cantar alto por aqueles arrabaldes, e muitas vezes inventava canções, gostava de saltar, e explorar só as matas que exestiam por perto.
Lembro-me de atravessar a planície de Paio junto com os meus pais e o meu irmão Zé Luís a pé de lés a lés, eram muitos quilómetros feitos a pé que nós prcorriamos sempre juntos naqueles tempos, pois eram os caminhos que davam para irmos visitar os nossos familiares que por ali viviam nos arredores. O meu pai não tinha nem nunca quis tirar a carta nem ter um carro para passearmos. Quando tínhamos que ir ver outros familiares mais longe o meu pai levava-nos na motorizada dele ou então, apanhávamos o autocarro. Parece mentira como nós andávamos tanto, e ainda pequenos, mas quando isso acontecia era uma alegria para nós. A minha mãe arranjava sempre um pau grande junto com o meu pai, para atravessarmos a planície de Paio, e assim nos protegiam do gado que por ali andava a pastar no campo, que podia ser perigoso.

A nossa vida quando estávamos lá de férias era tão diferente daquela que vivíamos no nosso apartamento em Paio Pires. O meu pai tornava-se num pai mais calmo e atencioso, mas sempre sem fazer grandes demonstrações de afecto, adorava ir connosco á praia onde ele nos ensinou a nadar e a não ter medo do Mar, e na Lagoa, apesar que ás vezes nos passávamos mais tempo na lagoa, pois não era tão perigosa para as crianças, mas o depois íamos dar um mergolhinho no mar, caso o mar estivesse bom para se metermos dentro dele, e nadar.
Ao serão e á luz de um candeeiro a petróleo ou um candeeiro de campismo nós jogávamos todos as cartas, o meu pai gostava muito de jogar as cartas em geral. Outras vezes íamos jantar a casa do meu tio Ventura, irmão de meu pai, e sua família, e aproveitávamos por ver as notícias no jornal da noite na TV deles, e por fim depois do jantar e tudo estar pronto o meu pai jogava as cartas com o meu tio, os filhos deles, caso lá estivessem, para ver quem é que ganhava, eram serões bem divertidos e em família. Depois de já ser uma certa hora da noite, lá vínhamos todos já de noite escura cerrada, onde tinhamos que atravessar a estrada para irmos todos para casa dormir, (eu os meus pais, e o meu irmão). Chegávamos a casa o meu pai acendia o candeeiro, a minha mãe aquecia um pouco de água para nos lavarmos os pés antes de nos deitarmos, e bebíamos um chasinho antes de dormir. Era muito bom! Não se conseguia era estar deitado até tarde, porque o Sol dava logo luz a quase toda a casa, e por mais que eu tentasse descansar mais um pouco não conseguia, e os meus pais também se levantavam muito cedo.

Comprava-se o pão ao padeiro que passava lá por volta das 9h ou 10h da manhã numa carrinha. O resto das compras básicas para nós comermos os meus pais iam a uma mercearia a uns 5 minutos de distância, a pé, de casa, ou no parque de campismo de lá, outras vezes íamos até ao meu tio António Arsênio, mas era mais raro porque ficava longe de casa. Outras vezes eram os nossos familiares vizinhos que nos davam coisas que eles colhiam das suas hortas, ou animais que eles criavam á solta no campo.
A água nós íamos a um furo de água pura e natural que existia lá perto e muito fresquinha, a minha mãe ia buscar a água numa quarta de barro, que mantinha a água sempre muito fresquinha e deliciosa para bebermos, para um bom tempo, acabava-se e ia se buscar de novo, isto foi assim durante uns bons anos até que o meu pai fez uma canalização do furo de água, que também era puro, da casa de uma prima dele que ficava logo atrás de nossa casa, e assim deixámos mais de ir buscar a água ao outro furo.
A minha mãe lavava a roupa uma vez nos tanques de paio, que era onde as mulheres das redondezas lavavam também, mas o depois puseram também uns tanques de cimento ao pé do furo da água principal, mas por fim a minha tia arranjou um tanque de cimento e deu a minha mãe para ela poder lavar a roupa sem ter que andar carregada, e ficava lá em casa para uso pessoal. Antes a minha mãe lavava a toda a nossa roupa á mão dentro de um alguidar de plástico grande, que também servia para nós tomármos banho, que tinha uma pedra e a minha mãe tinha que se ajoelhar para lavar a roupa. Tínhamos uma corda nos pinheiros perto de casa e com um pau grande e grosso na outra ponta da corda, para a minha mãe estender as nossas roupas, e punha uma cana forte e com um pequeno golpe no meio para segurar a corda ao meio, para assim a roupa não cair no chão, e tínhamos outra corda ao lado da casa, isso só umas vezes é que o meu pai fazia o estendal ao lado, porque nos últimos anos de férias em família, meu pai punha o estendal á frente de nossa casa, e perto do pinheiro que tínhamos ao lado de casa, e para coisas maiores a minha mãe estendia em cima das balsas que tínhamos em frente da casa.

Lembro-me também muito bem de como era tão colorida na Primavera, a casa ficava rodeada de uma variedade de cores e cheiros maravilhosos das flores que nasciam naquela altura do ano. Era lindo e maravilhoso para a vista, e o ar que respirávamos junto com todo aquele perfume que as tais flores emanavam.

O meu irmão a partir de uma certa idade só ficava lá na casa connosco às vezes, pois muitas das vezes ele preferia passar as férias com os meus primos Arsenios, no café/restaurante, e casa do nosso tio António Arsênio, os meus primos eram mais da idade dele, e ele gostava muito de passar as férias na companhia deles. Davam-se todos muito bem. O meu irmão gostava de os ajudar a servir no café/restaurante deles.

Eu com o tempo também cresci e casei, e nunca mais fui de férias com eles, eles os dois ainda foram umas vezes, mas poucas, passar lá uns dias, o depois começaram a lhe aparecer as maleitas, e já tinham uma certa idade, e já não tinham muita pachorra para ir para lá de férias ou passar uns dias.

O depois quem ia lá sempre de férias com a família era o meu irmão Zé Luís, e adoravam lá fazer as férias e patuscadas para a família e os amigos deles, isso ainda durou uns anos até que compraram um armazém em Sines, e passaram fazer as férias lá pois tinham muitas mais condições para poderem levar a família e os amigos, e a casa acabou por ir sendo “abandonada” com os tempos.

Como a casa está num impasse com o gabinete de Sines, não podemos fazer obras de melhoramento, e de a manter “viva”, e habitável por mais ninguém, a casa está a ficar velhota, como dá para ver nas fotos que eu tirei em Julho de 2012.

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Este ano no mês de Agosto de 2017, fui lá fazer mais uma visita, e ainda a pude ver em pé. O meu irmão, e a minha cunhada convidaram-me para ir com eles apanhar cascos/pinhas nos pinhais lá dos arredores da casa.

Agora a casa, após já ter sido assaltada umas vezes, está só a servir de armazém para alguma lenha, e cascos que o meu irmão vai precisando, para usar no forno dele das pizzas, e para o churrasco dele que ele usa para os gastos de casa. Fiquei triste com a imagem descuidada, de abandono, que a casa vai tendo ao longo do tempo e dos anos que vão passando por ela, e que infelizmente não se pode fazer nada para melhoramento. Tudo isso derivado ao impasse do tribunal que nunca mais termina.

Aqui estão as imagens que eu tirei da casa desta vez, e que talvez não volte a ver mais assim…! 😔
São imagens que vou manter para a vida, e na minha memória, e que um dia vou poder mostrar ao meu filho, quando ele se aperceber melhor das coisas, porque agora ele não consegue entender.

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Oxalá que houvesse um milagre, e as coisas mudavam para melhor, e assim nós podíamos reconstruir a nossa casa da praia e campo, faríamos isso pelo meu pai, que iria ficar feliz por finalmente as coisas se terem resolvido de vez e a nosso favor, e assim voltávamos a poder usá-la para férias, fins-de-semana, e lhe dar novamente vida a esta casa tão especial para todos nós.

Seja O Que Deus Quiser! Que se faça Justiça de uma vez por todas, e que a casa possa voltar às nossas mãos finalmente, e assim podermos fazer o uso fruto que ela merece. Só nos resta que se faça justiça.

Assim termino os meus pensamentos e boas recordações da minha casa da Lagoa de Santo André, com 7 páginas na totalidade, e estas imagens espectaculares desta casa com tão boas recordações guardadas no meu coração e na minha mente eternamente…!

Este local traz-me felicidade, e uma alegria que só Deus me percebe o quanto esta casa significa para mim, para o meu irmão e também significa para os nossos familiares…!

 

Nota: Este texto já foi escrito o ano passado, (2017), a esta parte por mim, mas hoje resolvi pública-lo. Espero que gostem…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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